Um menino nas esperas do portal
Com doze pedras de contar
Com as cadelas de olhos fitos
Com ele a festejar o prazer
Da chuva no alvoroço do mar
O mundo era uma árvore à sua altura
Nos bolsos tinha a fortuna
Nas mãos doze pedras de contar
No perto os pássaros a bicicleta um comboio
As horas no longe e um cão triste de passar
Latindo por sede acendendo as vinhas
Contra essa danação o menino tinha
Doze pedras de perder doze pedras de achar
À manhã que importaria o perder
Se a morte andava suspensa
Nopróprio machado de matar
Um pássaro ou um coração de corda
Não escondiam a loucura
Contra a danação havia
O que se perdia na fortuna do menino
As doze pedras de perder doze pedras de encontrar
Só as árvores eram do longe
Só os comboios eram do ar
Só o menino tinha sossego
Com as doze pedras de contar
5 comentários:
Tão bonito, Zé!
Abraço
Gostei do teu blog!
Sugestão: http://professorubiratandambrosio.blogspot.com/
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Gostei de ler, particularmente hoje.
Gosto de o vir ler aqui. Há luz e sentimento.
Abraço, grande.
Olhares, encantamentos e, porque não, uma certa forma de preservar a dignidade na vida...
Abraço
Maravilha, Zé. É só o que digo.
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