Que importa escrever barco na minha língua
Se só o número inaugura ou testemunha
O vento trouxe a escuridão e o rugir
Comemora a fala teatral e pública
As pessoas fecham-se em casa
Colocam cordas nos ecrãs
O vento vem pela gota da chuva
A boca não traz o rosto devolvido
Posso escrever sol na minha língua
Que importa se é número
Sol nunca será sol
É abutre canelado a gráfico
Sol é o prazer económico do escasso
E o raro compraz –se no luxo
Que importa ler :
A água funda a própria pedra e a palavra dia
Expande o voo do pássaro e o punho
Ou a morte está aqui e erra .
2 comentários:
As crianças desenvolvem-se num processo contínuo e, de repente, percebemos que determinadas aquisições estão completas e produtivas como se, naquele preciso instante, tivessem amadurecido.
Claro que estes processos são progressivos e se estivermos atentos foram crescendo e acrescentando a pouco e pouco.
Não sei se escrever é um processo assim. Tudo isto para dizer que os últimos poemas que publicou, são maiores. O trabalho anterior era bom. Mas há diferença, nos últimos, tb "amaduraram" (?)Não sei..Gostei muito.
Tenho andado por longe, ou perto, mas por lá...
Voltei e gostei do que aqui li. Maturidade : aquela que se ganha com o sofrer...ou o meditar. Falta-me o tempo e o espaço para o meditar...Por isso gosto de o ler aqui.
Um abraço.
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