Pintei de verde a porta de casa duas vezes
Para que houvesse cidade
A rua ficou com a demão de espera
Para que tu viesses ver o Outono inteiro
Fosses da cidade com sol noutras horas
Pintei a porta de casa de verde duas vezes
Porque na cidade tudo é velho vil e agradecido
Porque o sujo vive no vento e cresce
Pintei a porta de verde vi-me na rua
Onde o turista navega nos mapas e cega
Onde os pássaros morrem fechados no ar
Onde os pássaros têm um chão pobre nas asas
E atónitos perseguem letras de jornal voado
Pintei de verde a porta de casa duas vezes
Para te merecer o rosto e a água
Para que houvesse uma flor contra o lixo
E a tipuana voltasse a ser árvore
Deixando crescer nela os pássaros
6 comentários:
Muito bom, como sempre. Um grande poema para este tempo e para todos os tempos.
Que lindo!
Pintaste de verde que é a cor da esperança.
A minha porta não é verde mas os portões e gradeamentos da minha casa estão pintados de verde e também sou eu que pinto mas não o faço tão bem como tu com a tua arte de manejar as palavras.
Beijinhos
Verdinha
Belo e musical na sonoridade das palavras. E esse verde é esperança ou necessidade de recuperar afectos, ou o sol da cidade ou as asas da nação.
abraço, Zé :)
Belíssimo.
Um abraço*
voltei, bom reler, mas: aguardo mais :)
espero que tudo bem contigo. beijos.
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