Se tens tinta no coração escreve a direito
Não separes mais nada
Não há mais nada para separar
São comuns os barcos são frágeis as vagas
O sangue é um negócio muito alto
Se tens tinta no coração escreve a direito
Não separes nada
Não há mais nada para separar
As manhãs desprendem-se do lixo
Correm mortais de horas no jogo sujo
Apagam tintas
Voam nos esqueletos
O tempo é rude e geométrico
Já nem os frutos sabem a direcção da chuva
Já nem os pássaros sabem a flor que se faz galho
Se tens tinta no coração escreve a direito
Multiplicam -se as cifras nos espelhos
Sangue seiva e cinza são negócios muito altos
São muito altas as casas e voam distantes os ventos
As chuvas não pousam nos rostos desavindos
Morrem longe como nuvens secas lógicas e permanentes
Se tens tinta no coração escreve a direito
Os pássaros espreitam o vazio
Tudo se soma periférico ao coração
Não há sinal que diga : é humano , é sagrado
O sangue é um negócio muito alto
Na ordem que nos resta
5 comentários:
Um belo poema,Zé Marto.Boa semana!
Bonito.
Belíssimo!
Um abraço*
"na ordem que nos resta", escrevamos, então, a direito, que é demasiado belo e inspirador este poema!
beijo, Zé.
Tenho andado arredia, com tempo"atropelado"...Cheguei agora e li: gostei muito e senti..muito. Gostei do novo visual do sítio. Passo muito por aqui, calada, pois gosto mais "daqui" do que do faceb.
Um abraço e boa semana.
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