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Domingo, 9 de Outubro de 2011

ESCREVE A DIREITO

Se tens tinta no coração escreve a direito
Não separes mais nada
Não há mais nada para separar
São comuns os barcos são frágeis as vagas
O sangue é um negócio muito alto

Se tens tinta no coração escreve a direito
Não separes nada
Não há mais nada para separar
As manhãs desprendem-se do lixo
Correm mortais de horas no jogo sujo
Apagam tintas
Voam nos esqueletos

O tempo é rude e geométrico
Já nem os frutos sabem a direcção da chuva
Já nem os pássaros sabem a flor que se faz galho

Se tens tinta no coração escreve a direito
Multiplicam -se as cifras nos espelhos
Sangue seiva e cinza são negócios muito altos

São muito altas as casas e voam distantes os ventos
As chuvas não pousam nos rostos desavindos
Morrem longe como nuvens secas lógicas e permanentes
Se tens tinta no coração escreve a direito
Os pássaros espreitam o vazio
Tudo se soma periférico ao coração

Não há sinal que diga : é humano , é sagrado
O sangue é um negócio muito alto
Na ordem que nos resta

5 comentários:

Amélia disse...

Um belo poema,Zé Marto.Boa semana!

Austeriana disse...

Bonito.

Maria P. disse...

Belíssimo!

Um abraço*

© Maria Manuel disse...

"na ordem que nos resta", escrevamos, então, a direito, que é demasiado belo e inspirador este poema!

beijo, Zé.

fernanda s. monteiro disse...

Tenho andado arredia, com tempo"atropelado"...Cheguei agora e li: gostei muito e senti..muito. Gostei do novo visual do sítio. Passo muito por aqui, calada, pois gosto mais "daqui" do que do faceb.
Um abraço e boa semana.