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Terça-feira, 30 de Agosto de 2011

Passavas tu com a bússola do tempo

Passavas tu com a bússola do tempo
Como se houvesse um barco a resgatar
E uma sirene te desse as horas no ouvido
Houvesse salvação houvesse mar

Um fogo ia ardendo no muro da cidade
Não fosse a noite a garra dos dias
Não transitasse pressa não se visse poço
Houvesse salvação houvesse silêncio
As árvores seriam chamadas à tua altura

E tu com um saco de papel ou de estrelas na mão
Deixavas a chuva cair como cai o fogo
Já não havia mar nem sirene nem barco
Só a rua naufragava e havia vento
Nos bichos na madeira ou na chama
As janelas de casa perdidas na luz
Fugiam nas estradas como pássaros com o vento

2 comentários:

Licínia Quitério disse...

Muito belo, Poeta. Ler-te é sempre um prazer renovado.

Lídia Borges disse...

A bússola do tempo a desorientar os pássaros e os homens.

L.B.